JOGOS E DINÂMICAS DE GRUPOS COM FOCO NO TRABALHO EM EQUIPE: DESENVOLVIMENTO E INTEGRAÇÃO DOS INDIVÍDUOS

31-10-2010 15:55

 JOGOS E DINÂMICAS DE GRUPOS COM FOCO NO TRABALHO EM EQUIPE: DESENVOLVIMENTO E INTEGRAÇÃO DOS INDIVÍDUOS

 

 

Gabriela de Brito Martins

Fabrícia Rodrigues Amorim

Camila de Oliveira Almeida

Fabiana Temporim Domingues

Lília Simões Wingler

Luciene da Silva Viana

Marcelo Marques Nascimento

Mônica Rizzo Scarpini dos Santos

Priscila Santos Rodrigues

Rubens Giardini Caldonho

Rubens Paris Júnior

Silvia Zangerolame Tófano

 

1. Introdução

Numa época de mudanças organizacionais onde se verifica uma intensa busca por produtividade, rapidez, flexibilidade e comprometimento com os resultados, faz-se necessária cada vez mais, a potencialização do trabalho em equipe. O capital humano é o principal patrimônio das empresas, sendo assim, o gerenciamento das pessoas torna-se uma competência fundamental. É necessário substituir a velha mentalidade autocrática e impositiva por uma mentalidade mais aberta que proporcione um estilo de gestão democrático, participativo e incentivador capaz de transformar o capital intelectual em mais um agente de competitividade empresarial e de excelência organizacional. Para incrementar o cenário de desenvolvimento do indivíduo enquanto colaborador, as organizações usam algumas técnicas de jogos para capacitação de sua equipe.

Para que haja perfeita compreensão do artigo a seguir, torna-se necessário a abordagem de alguns conceitos sobre jogos e equipes: jogo é toda e qualquer interação entre dois ou mais sujeitos dentro de um conjunto definido de regras. O jogo atua de várias maneiras no crescimento do ser humano, desenvolvendo entre outras coisas sua auto-percepção, seu raciocínio e relacionamento interpessoal. Segundo Falcão (2003, p.3), ao jogar, praticamos simultaneamente movimento, sentimento, pensamento e espiritualidade. Equipe, por sua vez, é um conjunto de pessoas que se unem para realizar uma determinada atividade em algum tipo de instituição. As ações são divididas e, embora cada um exerça um papel institucional diferente, a soma de todas as atribuições permite a concretização de uma atividade. Nesse sentido, todos são fundamentais para o funcionamento organizacional e para a concretização das atividades.

A compreensão do funcionamento e das manifestações dos grupos dentro das organizações passa a ser uma tarefa decisiva, pois, através dos grupos é possível atender à satisfação de necessidades sociais, permitir que cada um estabeleça seu auto-conceito, conseguir apoio para à consecução dos objetivos e reconhecer a  capacidade de modificar comportamentos. Assim sendo, este artigo tem por finalidade apresentar a conceituação de trabalho em equipe e como os jogos empresariais auxiliam no desenvolvimento e integração dos indivíduos dessa referida equipe.

2. Referencial Teórico

2.1. Jogos e Dinâmica de Grupos

Os jogos de empresas apresentam alguns aspectos importantes que devem ser ressaltados, dentre eles, seu aspecto dinâmico; a relevância de sua abrangência como um método eficaz de treinamento e desenvolvimento em relação as habilidades, potencialidades e atitudes.

Caracterizam-se pela sua natureza prospectiva, uma vez que propiciam uma situação virtual concernente à atividade empresarial. Buscam criar situações que reflitam com o máximo de fidelidade possível a realidade cotidiana vivenciada em uma empresa durante as simulações produzidas no ambiente da empresa.

Os jogos de empresas são uma modalidade de simulação que consiste em um modelo operacional, dinâmico, de algum aspecto da realidade.

De acordo com o entendimento de Maques Filho:

“tudo começou em 1955, quando foi desenvolvido um jogo computadorizado simulando a administração de materiais para a Força Aérea Norte-Americana. Em 1956, a American Management Association lançou o jogo adaptado para negócios considerado como o primeiro jogo de empresas e, em 1957, a Universidade de Washington adotou esse método de ensino em sala de aula. No Brasil, os jogos iniciaram-se em 1962. Naquela época eram importados e processados nos Mainframe, usavam-se então os antigos cartões perfurados.” (MAQUES FILHO, 2009)

Os jogos de empresas possibilitam que se realizem experiências e se aprendam com as conseqüências de nossas decisões e suas implicações no futuro e em partes diferentes de organização empresarial.

Para Gramigna (1994, p.9), além do aperfeiçoamento de habilidades técnicas, o jogo proporciona o aprimoramento das relações sociais entre as pessoas. As situações oferecidas modelam a realidade social e todos têm a oportunidade de vivenciar seu modelo comportamental. Os jogadores passam por um processo de comunicação intra e intergrupal, em que é exigido de todos usarem diversas habilidades, tais como: ouvir, entender e repassar informações, dar e receber feedback , discordar e respeitar outras opiniões, cooperar, rever opiniões e ser flexível.

 

2.2. Trabalho em Equipe

Muito se tem discutido sobre o processo de melhoria da qualidade. Uma das formas de trabalho que mais tem contribuído para o desenvolvimento deste processo é o trabalho em equipe. A qualidade como derivada de um comprometimento pessoal de todos que compõe a organização; o trabalho em equipe como propulsor de transformações na mentalidade e nos métodos de trabalho e controle da qualidade como principais agentes da busca pela melhoria contínua através da resolução de problemas de qualidade e produtividade. As tentativas de se conseguir o apoio e o empreendimento completo de todas as pessoas que formam as organizações demonstram que os caminhos mais trilhados são os que levam a marca da distribuição da responsabilidade pelo crescimento organizacional, bem como do reconhecimento do trabalho de todos os membros das equipes. Torna-se clara a mudança de pensamento organizacional no que tange a natureza das relações e, principalmente, a aquisição da consciência de que, qualquer que seja a revolução, é imprescindível levar em conta o ser humano como sua peça-chave.

O psicólogo Abraham Maslow, citado por Fleury (2008), constatou que os indivíduos trabalham para suprir diversas necessidades, com diferentes forças, como alimento, abrigo, saldar contas, de segurança no emprego, etc., mas também de se relacionarem com os outros e de serem aceitos por eles. Sem isso, o trabalho se torna enfadonho e sem graça. Trabalhar em equipe é mais divertido do que trabalhar individualmente, o que pode contribuir para melhorar o desempenho do colaborador.

Segundo Vergara (2000), existem quatro vantagens de que justificam trabalhar em equipe. A primeira vantagem é a agilidade na captação de informações e em seu uso. O senso de urgência que circunda as atividades na atualidade, não é possível que a alta administração decida como as coisas devem ser feitas e o corpo médio gerencial decodifique essas decisões para o pessoal das bases e este implementá-las. Nos dias atuais, se a mensagem tiver de percorrer um trajeto tão longo, a mesma se perderá no caminho.

A segunda vantagem é que, embora se possa admitir que, no geral, equipes produzem menos idéias e, às vezes, mas lentamente do que pessoas que trabalham individualmente. As idéias provenientes de trabalho em equipe são mais ricas, mais elaboradas, de maior qualidade, porque se baseiam em diferentes visões do fenômeno sob estudo.

A terceira vantagem é que equipes têm tendência maior a assumir riscos, porque a responsabilidade pelos resultados é compartilhada. Desta forma, o indivíduo se sente mais a vontade para transformar em ações suas idéias, tornando-se mais crítico e criativo resultando processos melhores e mais dinâmicos.

A última vantagem de se trabalhar em equipe refere-se ao comprometimento. Quando o poder é compartilhado, como ocorre no trabalho em equipe, no geral as pessoas sentem-se responsáveis pelo resultado e engajam-se no processo. Há uma maior e efetiva cumplicidade, motivacional.

De acordo com Souza (2009), uma verdadeira equipe de trabalho precisa de tempo para que seus membros possam ajustar-se as diferenças individuais de percepção, de forma de trabalhar, e de se relacionar. Este é o primeiro passo para o caminho em direção à produtividade da equipe. Quando uma equipe amadurece, estas diferenças são colocadas a serviço do coletivo. O verdadeiro trabalho em equipe implica em uma organização interna de papéis, recursos e dinâmica de funcionamento, acertos de convivência, grau de autonomia decisória e relações com o líder. Esses detalhes precisam aparecer e serem tratados rapidamente pela equipe, sob pena de adiar seus melhores níveis de produtividade e de sucesso. É importante ressaltar que isto não é fácil de conseguir, nem tampouco rápido de se consolidar, pois em meio ao trabalho cotidiano  de muita pressão, principalmente por resultados, as soluções, nem sempre são fáceis de implementar.

No entanto, para chegar ao estado de produtividade ideal é importante que a equipe separe periodicamente um espaço e um tempo para realizar alinhamentos: das expectativas, das relações, dos conflitos, das individualidades em direção aos objetivos e aos resultados.  

No fundo, é uma metodologia que propõe uma solução negociada de conviver mais focada, do que um treinamento genérico. Este tipo de intervenção tem se mostrado muito eficaz para equipes que precisam promover ajustes internos, no sentido de construir-se, ou de alavancar seus resultados e trazer saúde relacional à sua convivência cotidiana. Normalmente despende o mesmo número de horas de um treinamento comum, porém seu método, além de focado, respeita muito mais as características do desenvolvimento de equipes: o tempo e o esforço de construção utilizando as soluções que saem da própria equipe.

3. Metodologia

O universo do estudo de Jogos de Empresa é uma instituição do ramo acadêmico, que está presente no Espírito Santo desde 1989, possuindo, hoje, cerca de 405 colaboradores em seu quadro, incluindo docentes e pessoal administrativo.

Para melhor desenvolvimento das atividades, dividimos o cronograma em dois encontros:

a) Primeiro Encontro: o objetivo é quebrar o gelo e fazer com que os participantes interajam da melhor maneira possível no treinamento.

Primeiramente, realizamos uma breve apresentação, buscando o entrosamento para iniciarmos a atividade de trabalho em equipe. Logo após a apresentação, com a finalidade de quebrar o gelo e permitir uma análise dos comportamentos dos participantes, passamos para a primeira dinâmica “Colheres Cooperativas”, que procede da seguinte maneira:

COLHERES COOPERATIVAS

INSTRUÇÕES

Dependendo do número de participantes, dividir ou não em equipes.

Vocês deverão se posicionar em uma fila. A tarefa consiste em, através da colher que receberam, passar a bolinha do último membro da fila para o companheiro imediatamente a seguir, e assim sucessivamente, até que a bolinha chegue no primeiro da fila, que deverá coloca-la na cesta, também através da colher.

A meta é que vocês consigam, em ____ minutos, fazer chegar até a cesta no mínimo _____ bolinhas.

OBSERVAÇÃO PARA O FACILITADOR: O número de bolinhas x tempo deverá ser proporcional ao número de participantes por fila.

Fila com até 10 participantes – Objetivo – 15 bolinhas por fila – 3 minutos

Fila com 11 a 20 participantes – Objetivo – 15 bolinhas por fila – 5 minutos

Caso haja mais de uma fila, a meta deverá ser estabelecida de forma total e não por fila. Por exemplo, se forem 3 filas de 20 participantes cada, a meta da Equipe deverá ser 45 bolinhas na soma das 3 cestas.

REGRAS:

- Vocês terão 10 minutos para treinar e criar uma estratégia antes do início da prova;

- Vocês deverão estar em fila e quando começar a contagem do tempo não poderão trocar de posição, nem de tamanho da colher;

- As bolas somente poderão ser passadas através das colheres, que deverão estar na boca e, necessariamente, deverão ser passadas na ordem das pessoas na fila. Quando a bola estiver sendo passada não poderão segurar a colher.

- Se a bola cair no chão, volta para o final da fila.

TEMPO DE DURAÇÃO: 20 minutos

RECURSOS:

Bolas, tipo ping-pong

Colheres de plástico de tamanhos diferentes

Cestas de plástico.

Neste momento, em relação à dinâmica “Colheres Cooperativas”, discute-se sobre a relevância do planejamento no trabalho em equipe. Aplicou-se, ainda, a dinâmica “Teia de Aranha”, a fim de estimular o trabalho em equipe e mostrar a importância de cada indivíduo na organização. A dinâmica ocorre deste modo:

TEIA DE ARANHA

INSTRUÇÕES

Objetivo: Mostrar que em um trabalho em grupo, todos devem permanecer unidos. Material: Um rolo de barbante.

Procedimento: Peça que a turma que fique em círculos. Segure a ponta do barbante e jogue o rolo para outra pessoa que esteja no lado oposto ao seu. Esta pessoa deve segurar uma parte do barbante de modo que não fique frouxo, e jogar para outro colega distante, e assim sucessivamente, até o último participante. Depois peça que um ou dois deles solte(m) o barbante. A teia se desmancha, ou fica frouxa. Então explique que em um trabalho em grupo acontece a mesma coisa. Se um do grupo abandona o trabalho ou o faz de maneira desinteressada, isso implicará na realização de todo o trabalho. Portanto, devemos cooperar e ter responsabilidade diante dos nossos compromissos, principalmente quando envolve outras pessoas. Outra variação: Dinâmica do “Rolo de Barbante”.
Assim, cada indivíduo é parte importante para a empresa, por isso deve-se cooperar a fim de alcançar resultados eficazes.

b) Segundo Encontro: tem como objetivo um feedback dos treinandos e uma reflexão sobre os temas trabalhados. Para isso, aplicou-se a dinâmica “Desafio da Garrafa”, a fim de que os participantes percebam a importância da resolução de problemas/desafios em equipe. A dinâmica procede da seguinte maneira:

ESTRUTURAÇÃO

Nome da atividade: Desafio da garrafa.

Tema central: resolução de problemas em equipe.

Outros indicadores:

            - cooperação;

            - planejamento;

            - liderança;

            - criatividade;

            - sinergia.

Material:

            - 1 rolo de barbante;

            - 1 garrafa;

            - 1 caneta;

            - som e duas músicas harmonizantes;

            - 1 tesoura.

Tempo aproximados:

            - 40 minutos.

Aplicabilidade:

            - em qualquer programa atitudinal ou comportamental.

Número de participantes:

            - mínimo 12 e máximo 25.

Objetivo:

            - propiciar ao grupo a oportunidade de resolver um desafio em equipe.

Disposição do grupo:

            - em círculo, em pé. Sala livre de mesas e cadeiras. Ambiente que permita ao círculo se movimentar livremente.

DESENVOLVIMENTO

Cenário:

Informar ao grupo que será dado um desafio para resolver. Se alguém descumprir as regras do jogo será, literalmente, cortado do grupo.

            Em um canto da sala, estarão cortados tantos barbantes quanto o número de participantes, amarrados por um nó (tamanho aproximado de um metro e meio). Cada participante segura em uma ponta do barbante, amarra-o na cintura, formando um círculo. Em seguida, colocar uma garrafa no chão afastada do círculo. O facilitador amarra uma caneta no ponto de encontro dos barbantes e solicita 6 voluntários (que receberão vendas), orientando os próximos passos.

Desafio:

Transportar a caneta para dentro da garrafa, obedecendo as seguintes regras:

- as pessoas vendadas poderão se comunicar verbalmente;

            - as pessoas sem vendas só poderão se comunicar por gestos;

            - é proibido colocar as mãos no barbante;

            - é proibido deixar o barbante frouxo.

 Quem desobedecer às regras será cortado do grupo.

Aguardar por 5 minutos para planejamento e colocar a música.

O que poderá ocorrer:

            - alguns conseguem cumprir as regras, outros são cortados;

- o grupo consegue colocar a caneta dentro da garrafa e, geralmente, acha que o desafio foi cumprido.

Após esta primeira etapa, fazer uma rápida avaliação das dificuldades e

ouvir proposta de melhoria.

            O que poderá ser proposto:                  O que poderá ser aceito:

            - Tirar as vendas                                                                sim

            - Desamarrar os barbantes da cintura                            não

            - Participantes que tiraram as vendas                           

              poderão falar                                                                    não

            - Chegar a garrafa mais para perto                                 não

            - Tirar os cegos                                                                   não

Regras para a segunda tentativa:

Todos sem vendas, usando somente comunicação não-verbal, com o barbante esticado, sem colocar as mãos. Após a segunda tentativa (em que geralmente o grupo alcança o objetivo), proceder à avaliação.

Como trabalhar o jogo:

Em formação circular, sentados no chão, os participantes têm espaço para expor:

            - sentimentos, reações e emoções durante as duas fases do jogo;

            - dificuldades e facilidades para cumprir o desafio;

            - o que facilitou a segunda etapa;

            - qual o significado da tesoura cortando pessoas;

            - o que representam os cegos no primeiro momento;

            - que lições e aprendizagem tiraram da vivência.

Para finalizar o treinamento e avaliarmos o comportamento dos participantes, aplicamos uma simples dinâmica chamada “sonhos”, que segue assim:

SONHOS

INSTRUÇÕES

Objetivo: Aprender a respeitar os sonhos dos outros.

Materiais: balões coloridos, caneta, papel sulfite e palitos de dente.

Procedimento: O participante deverá escrever em um pedaço de papel seu sonho, dobrar e colocá-lo dentro do balão, que deve ser inflado. Cada um fica com um balão e um palito de dente na mão. O orientador dá a seguinte ordem: defendam seu sonho! Todos devem estar juntos em um lugar espaçoso. A tendência é todos estourarem os balões uns dos outros. Quando fizerem isto o orientador pergunta: _ Por que destruíram os sonhos dos outros? Deixe-os pensarem um pouco e responda para defender o seu sonho você não precisa destruir os sonhos dos outros, basta que cada um fique parado e nenhum sonho será destruído!
Expôs-se, ainda, os pontos mais importantes deste treinamento, cujas dinâmicas foram adaptadas de livros e sites.

4. Avaliação de Resultados

No primeiro encontro, buscou-se vencer alguns preconceitos em relação a dinâmicas de grupo e envolver os participantes de forma descontraída no treinamento. A dinâmica “Colheres Cooperativas” foi de suma importância para que esse objetivo fosse alcançado. Nesta dinâmica, dividimos o grupo em duas equipes. Pode-se observar que a equipe A planejou colocar as pessoas por ordem de tamanho e traçou uma estratégia para alcançar a meta, o que não foi percebido na equipe B. Nas duas equipes uma pessoa assumiu o papel de líder. Apesar de terem sido orientadas quanto a não deixarem o espírito competitivo invadir a dinâmica, em alguns momentos, a “brincadeira” ficou voltada para a competição entre as equipes, porém, a equipe A, após atingir o objetivo que era colocar todas as bolinhas no cesto, passou a orientar a equipe B, que se mostrava muito persistente em realizar a atividade.

Na dinâmica “Teia de Aranha” pode-se perceber que cada parte integrante deve trabalhar para manter o equilíbrio da equipe, criando um ambiente onde haja motivação. A dinâmica mostra também que, quando se trabalha em equipe, não devemos somente criticar as ações dos outros, mas elogiar e elevar o trabalho dos companheiros de equipe. Quando pedimos para as pessoas, uma por uma, soltarem os barbantes, houve uma resistência, pois ninguém queria “deixar o equilíbrio cair”. Nesta dinâmica, um fator muito importante foi a cooperação dos participantes em vivenciar situações presentes no dia-a-dia de uma organização: como união, respeito, o valor do outro, responsabilidade, compromisso e outros aspectos que influenciam no clima organizacional. Uma das participantes faz o seguinte comentário em relação à essa dinâmica:

A dinâmica que eu quero enfatizar é a da teia de aranha, onde escolhemos uma pessoa, para quem jogamos o rolo de barbante e dizemos uma palavra de estímulo/elogio. Alguns dias depois do encontro, assistindo a um programa de televisão, percebi que o tema discutido era realmente esse, a importância de fazer um elogio à alguém, seja pelo que ele é, por algo que fez ou por seu comportamento em determinada situação, pois essa é uma forma de agradecer e valorizar a pessoa, o que é indispensável em um trabalho de grupo. (C., participante)

No segundo encontro, a dinâmica “Desafio da Garrafa” proporcionou aos participantes a percepção da importância de se trabalhar em equipe. Os olhos vendados de alguns participantes representaram as diferenças que podemos encontrar quando trabalhamos em equipe. Os treinandos sentiram dificuldades em resolver o desafio, porém, se envolveram e trabalharam para solucionar tal desafio. Ao final da dinâmica, buscou-se um feedback dos participantes, onde todos compartilharam experiências e sentimentos que ocorreram durante a atividade.

Na dinâmica “sonho”, esperava-se que um estourasse o balão do outro, para, assim, fazer a reflexão, porém não foi isso que ocorreu. A reação do grupo foi totalmente diferente, ninguém se movimentou para estourar os balões de outra pessoa, o que mostra que os dois dias de treinamento valeram à pena. Diante desse fato, tivemos que dar um novo rumo à dinâmica, pedindo para que os treinandos trocassem os balões entre si, o que foi muito interessante, pois os participantes trocaram não só balões, como também abraços e palavras que representam o companheirismo da equipe. O grupo discutiu ainda sobre a relevância de um bom trabalho em equipe na vida das organizações e que, hoje, uma empresa onde não exista trabalho em equipe é totalmente desestruturada. Uma das participantes manifesta a importância da aplicação de jogos e dinâmicas no trabalho em equipe:

No setor onde trabalho as tarefas em equipe são sempre bem estimuladas e funcionam quase 100%. As dinâmicas aplicadas enfatizam isso, e servem como incentivo para um excelente trabalho em equipe. Neste encontro, trabalhamos a iniciativa das pessoas que compõe a equipe, diante de determinadas situações e percebe-se que, a dinâmica dos sonhos dispensa palavras, uma vez que o comportamento do grupo foi unânime, expressando o seguinte: o mal que eu não desejo para mim, eu não desejo para ninguém! (G., participante)

Dessa forma, o comprometimento e o gerenciamento dos objetivos foram concluídos e a troca de experiências entre as equipes foi marcante, seja em relação às informações, quanto à correções de postura, tranquilidade ao realizar o processo e organização da equipe. Há duas considerações muito importantes que foram vistas como resultado positivo do encontro. A primeira é que, antes de iniciarmos o treinamento, haviam duas pessoas no grupo que não conversavam por desentendimentos no ambiente de trabalho, e, um dia após a reunião, as duas voltaram a se falar a partir da reflexão aplicada na dinâmica. A segunda consideração se refere à uma funcionária que era vista como arrogante, metida e criadora de confusão por três colegas de trabalho. Isso fazia com as três não se relacionassem e nem gostassem de trabalhar em grupo com essa pessoa. Após a última dinâmica, onde todos tinham que se relacionar em grupo, ocorreu algo inesperado, as três pediram desculpas à essa colega de trabalho, com quem não conversavam, e, inclusive, uma delas fez o seguinte comentário: “Fulana, eu tinha uma impressão completamente diferente de você. Hoje vejo que você é uma pessoa boa”. Isso demonstra mais uma vez a importância que esse encontro teve no ambiente de trabalho daquelas pessoas, proporcionando aprendizado e treinamento aos participantes, apontando para determinação e desenvolvimento do trabalho em equipe nas organizações.

4. Considerações Finais

Os jogos e as dinâmicas de grupo são um valioso instrumento no desenvolvimento, participação e integração dos indivíduos, pois promove o encontro e o trabalho em equipe onde a aprendizagem é em grupo. Dessa forma, o gerenciamento das pessoas dentro de uma organização torna-se fundamental, sendo preciso criar um modelo de gestão mais participativo e por isso, no desenvolvimento do indivíduo, é essencial que as organizações façam uso das técnicas de jogos, a fim de treinar e capacitar a equipe.

O objetivo dos encontros eram proporcionar desenvolvimento e integração dos participantes no ambiente de trabalho. Com a aplicação das dinâmicas obtivemos muitos resultados positivos, pois pessoas voltaram a se falar e passaram a trabalhar em equipe juntas novamente, além de a equipe estar mais motivada, unida, com um novo “gás”. Dessa forma, vê-se a importância do trabalho em equipe dentro das organizações, onde as pessoas devem ter objetivos comuns, saber o valor da tarefa do outro e sentir que, em uma equipe, todos são fundamentais para o alcance de determinado objetivo.

Verifica-se ainda que, quando se trata de trabalho em equipe nas organizações, os jogos e dinâmicas de grupo são essenciais, pois integram a teoria à prática e proporcionam um ensino-aprendizagem, possibilitando o aprendizado do indivíduo. Diante do exposto e da aplicação das dinâmicas na instituição de ensino, percebe-se que Jogos de Empresa são fundamentais no desenvolvimento da equipe e que uma equipe bem treinada e trabalhada é vital para o alcance dos objetivos em uma organização.

4. Referências Bibliográficas

COOPERATIVA DO FITNESS. Sonhos. Disponível em: http://www.cdof.com.br/recrea18.htm. Acesso em: 25/5/2010.

COOPERATIVA DO FITNESS. Teia de Aranha. Disponível em: http://www.cdof.com.br/recrea24.htm. Acesso em: 25/5/2010.

FALCÃO, P. Criação e adaptação de Jogos em T&D. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003, p. 3.

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GRAMIGNA, M. Jogos de empresa e técnicas vivenciais. São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda, 1995.

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PIANCASTELLI, C.; FARIA, H.; SILVEIRA, M. O Trabalho em Equipe. Disponível em: www.opaswww.opas.org.br/rh/publicacoes/textos_apoio/Texto_1.pdf. Acesso em 05/05/2010.

SOUZA, J. Trabalho em Equipe: discurso bonito e prática difícil. Disponível: http://abrhrj.org.br/typo/index.php?id=154. Acesso em 22/05/2010.

SOUZA, M.; CAMPOS, A.; RAMOS, R., Trabalho em Equipe: a base da qualidade nas organizações. Disponível em: www.pp.ufu.br/Cobenge2001/trabalhos/EQC003.pdf . Acesso em: 05/05/2010.

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VERGARA, S. Gestão de Pessoas. 2° Edição. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2000, p.151-152.

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